No Mundo

O termo triar vem do verbo francês trier, tipar, escolher.

Triagem existe desde que o primeiro serviço de urgência foi criado; em alguns lugares antes do registro, em outros, após.

Em 1898, Glasgow, Sir D'Arcy Powerin descrevia um hospital em Londres no qual os pacientes começavam a se amontoar nas escadas às 8:30h, mas não podiam entrar antes das 9:00. As portas eram então abertas para um paciente por vez. A enfermeira perguntava sua queixa para depois o encaminhar para o clínico ou para o cirurgião.


Nos EEUU, a triagem foi usada inicialmente pelos militares para escolher soldados feridos em batalha com o objetivo de estabelecer prioridades de tratamento. Soldados feridos eram classificados por gravidade de suas lesões:

  • gravemente traumatizados considerados não viáveis,
  • os que necessitavam cuidado imediato
  • aqueles que podiam aguardar tratamento com segurança.

O grande objetivo da triagem era devolver o maior número de soldados para o campo de batalha e o mais rápido possível e é uma tecnologia para guerra ou grandes catástrofes: não se aplica à população civil.Mudanças no sistema de saúde americanas forçaram os Pronto Socorros a avaliar alternativas na abordagem do aumento da demanda de atendimento nos anos 1950 e 1960.

No final dos 1950 houve uma mudança na prática médica: os médicos particulares e os de família passaram a ser raros, as visitas se transformaram em consultas agendadas em consultórios e os Pronto Socorros se tornaram o principal local de atendimento quando os consultórios estavam fechados, principalmente em feriados e fins de semana. Além disso, mais médicos se tornaram especialistas, com poucos generalistas.

Os PS começaram a ter grande aumento da demanda e o aumento do volume resultou do uso dos PS por pacientes com problemas menos graves. Os PS reconheceram a necessidade de um método para classificar pacientes e identificar aqueles com necessidade imediata de cuidados.

Médicos e enfermeiros que tinham experiência com o processo efetivo de triagem nos campos de batalha introduziram a tecnologia nas emergências civis com extremo sucesso. A primeira referência de triagem fora do período de grandes catástrofes foi em 1963 em Yale.

Os três sistemas mais comuns de triagem nos EEUU foram:

  • Traffic director (fluxista), o mais simples - um funcionário administrativo conduz o paciente para o local de atendimento ou para uma sala de espera baseado em sua impressão inicial;
  • Spot-check - útil para Emergências de pequena demanda, quando não é custo-efetiva já que os pacientes não esperam. O funcionário registra o paciente e encaminha para a enfermeira da triagem que classifica sua gravidade baseada numa breve abordagem;
  • Comprehensive triage, o sistema mais avançado, ainda é usado e é endossado pela Emergency Nurses Association (ENA) Standards of Emergency Nursing Practice. A enfermeira emergencista tria cada paciente e determina a prioridade de cuidado baseada nas necessidades físicas, de desenvolvimento e demandas psicossociais assim como fatores que influenciam o acesso. A triagem deverá ser feita por enfermeira experiente em emergências e o objetivo é rapidamente conseguir informações suficientes para determinar a gravidade. (ENA, 1999, p. 23). Deve ser feita em 2 a 5 minutos.

Na Austrália, pacientes que procuravam assistência médica não eletiva no final dos anos 1960 não eram sempre classificados:

  • Aqueles que chegavam de ambulância eram priorizados
  • Os que caminhavam eram avaliados por ordem de chegada.

Em meados dos 1970 foi criado no Box Hill Hospital em Melbourne uma escala de 05 prioridades baseada em tempo, com identificação por adesivos na ficha de atendimento médico. Esta escala foi depois um pouco modificada com melhores descritores de urgência e necessidade de cuidados médicos e ficou conhecida como Ipswich Triage Scale.

Nos anos 1990, o Ipswich Triage Scale foi informatizado e testado em hospitais australianos quanto à utilidade, aplicabilidade e validade.

Em 1993, o Australasian College of Emergency Medicine (ACEM) adotou esta escala e a chamou National Triage Scale (NTS) como parte das Políticas de Triagem. Ela agora é conhecida como Australasian Triage Scale (ATS) e tem sido adotada pelas autoridades de saúde e pelo Australian Council on Health Care Standards (ACHS) como base de avaliação do desempenho das Unidades de Emergência.

A Escala compreende 05 categorias:

  1. Pacientes com risco de vida imediato,
  2. Risco de vida iminente,
  3. Potencial risco de vida,
  4. Pacientes potencialmente graves,
  5. Menos urgentes.